quarta-feira, 30 de maio de 2012

Amava você sem fazer nada

No primeiro encontro nós ficamos sem roupas. Sem compromisso, transamos. Em seguida, um mês de carícias. Um pouco mais adiante, começamos um romance. Era tudo bem a ver, eu e você. Ele tinha a altura ideal pra mim, nem muito alto, nem muito baixo. Um sorriso impecável, dentes completos, juntinhos e brancos. Lábios levemente carnudos e rosados. Cabelos lisos e negros, nem vazio, nem cheio. Um corpo de dar inveja não só aos homens, como as mulheres que não desfrutavam desse monumento carnal. Tinha uma pinta irresistível nas costas, um charme. Intelectual, sábio de conhecimentos. Mãos grandes, macias e fazia muito bem o que podia fazer com elas. Até nossos signos eram iguais. Aparentemente um poço de perfeição. Mas, mesmo com tantos favorecimentos, aos quatro meses eu apenas só gostava daquele rapaz tão impecável e sem igual. – Não me chame de louca, mas preciso ser sincera quanto aos meus sentimentos.
Nos víamos, saíamos, curtíamos, tínhamos os melhores momentos. Até que aos poucos eu fui me encantando. E quando notei, era tarde demais. Tarde demais eu imaginei que ele poderia ser o cara da minha vida. Se eu pudesse eu passava horas atenta as suas explicações. Passava horas ouvido o som do teu sorriso. Passava horas admirando aquela beleza que era dele e era minha. Passava horas deitada do teu lado, acariciando-o com meus dedos levemente em seu abdômen, só pra não ter que ficar longe dele em algum milésimo do dia. Passava horas sentindo aquele cheiro maravilhoso, que até suado era magnífico. Não precisava de mais nada, só de tua presença. Deitado no meu sofá, com estampas orientais, só bastava você pra me fazer feliz em uma tarde inteira. E eu babava por um ser humano dotado de positividades. Só em estar respirando, pensando, dormindo, sonhando, acordado, distante, deslocado, perto, por telefone, por imagem, por notícias, por pensamento, por aroma.  Amava você sem fazer nada.
Foi assim que fui te amando, por detalhes, por distância, por momentos. Eu realmente te amava. E mesmo se eu estiver enganada, e isso ainda não fosse realmente amor, sei que foi uma sensação próxima do que dizem ser amor.