Durante uma breve viagem de ônibus e em meus pensamentos desordenados, uma conversa ao lado me desprende desses pensamentos oscilantes. Vejo duas mulheres conversando. Inconscientemente, começo a prestar atenção na conversa das duas, e algo que uma das duas fala me desperta a atenção: “– Ela trabalha como voluntária e faz isso com amor, de coração.” Diz uma delas.
Fiquei intrigada com a questão dessa associação da moça. E me pergunto: Por que quando alguém faz algo com amor, tem que ser de coração? Por que coração, ao invés de fígado? Pâncreas? Rim? Pulmões ou estômago?
Quem decretou que o amor é sentido pelo coração? Você sente seu coração diferente quando está apaixonado? Sim? Quem não te garante que isso é seu cérebro trabalhando, dizendo essas coisas clichês que as pessoas dizem? “Quando se ama é de coração.”
Sei que pode ser um pensamento absurdo da minha parte, devido a essa associação da cultura humana, referente ao amor com esse órgão. Mas se for pra analisar, é algo que pode ser pensado melhor. E possivelmente você fique realmente se perguntando o porquê do coração ao invés de outro órgão. Essa afirmação absoluta da sociedade é baseada em fantasias.
As pessoas ficam sim, com o coração acelerado quando vêem a pessoa amada. Mas isso não quer significar que o coração está relacionado ao amor ou a paixão. Isso quer dizer que seu coração e seus impulsos nervosos estão trabalhando. E se o coração caracteriza o amor, a voz rouca, a voz trêmula, a voz tímida, significa o que? Essas reações também são estimuladas quando se depara com a pessoa amada.
Uma pessoa que trabalha voluntariamente, uma pessoa que arrisca sua vida pra salva outras vidas... Nem sempre quer dizer que ela faz isso por amor, ou por coração. Ela simplesmente pode fazer isso por questão de evolução espiritual. Afinal, quando morremos, o primeiro órgão que deixa de funcionar é o coração, mas nossa alma permanece “funcionando”. Nossas atitudes não são baseadas em uma dependência de nosso coração ser bom ou ruim. Nossas atitudes estão em nossa alma. É a nossa alma que guarda nossa evolução e involução. A alma é velha, é ela que é capaz de amar, de salvar, de tomar atitudes de amor. É notório isso quando fazemos o bem e sentimos uma sensação única, uma sensação de bem estar. De bem estar consigo mesmo. E não é só o coração que sente esse bem estar, o corpo todo sente. Internamente e externamente. Inclusive o fígado, pâncreas, rim, pulmões e estômago.