Comemoramos nosso terceiro ano de aniversário. Queríamos esquecer todos os estresses dos dias de trabalho, e curtir um dia feliz, só nosso. Planejamos um lindo dia, onde houvesse muito amor, alegria, risos, beijos ardentes e carinhos. Era o nosso dia, nada poderia dar errado.
Marcamos de nos encontrar no Park Villa, próximo da lanchonetezinha onde freqüentávamos tempos atrás. Ele chegou primeiro, em seguida cheguei também. Nos parabenizamos e nos contemplamos com um beijo daqueles e mais alguns selinhos. Seguimos ao nosso roteiro: fomos ao museu, depois a um restaurante maravilhoso, assistimos ao espetacular por do sol, em seguida fomos pra meu apartamento. Saiu tudo perfeitamente lindo.
Nesse dia, eu tinha certeza absoluta que ele era o amor da minha vida. Eu sinto que o amo de verdade e não duvido do que sinto por ele. Somos felizes, nos completamos, gostamos quase das mesmas coisas, das mesmas musicas. Fazemos promessas um ao outro, criamos planos pra o nosso futuro. E sim, ele é o amor da minha vida.
Ele não é bem um daqueles caras que riem por qualquer coisa, ou que aparenta felicidade ao estar do meu lado. Creio que seja algo relacionado à personalidade que ele tem. Mas é um cara bem inteligente e curte The Smiths. Confesso que isso me intriga um pouco, pois tenho medo dessa seriedade ser algo relacionado à infelicidade. Mas eu o amo tanto, que procuro deixar isso pra meus pensamentos que estão sendo enfileirados pra a latinha de lixo.
Duas semanas e meia se passaram, comecei a notar uma diferença na voz dele ao falar comigo, no olhar que desviava propositalmente, nas satisfações ausentes... Parecia existir algo estranho entre nossa relação. Podem ser coisas de minha imaginação, mas no fundo eu sinto uma diferença entre nós dois. Parecia que por um tempo eu estava vivendo em um relacionamento solitária.
Tentei remontar mentalmente nossa história inteira, preenchendo com algumas expectativas e esperanças os buracos. Mas evidentemente parece que o sentimento que ele sente por mim, não tem sido mais o mesmo. Me pergunto mil vezes se são coisas do trabalho que esteja afetando seu estado emocional, ou que seja algum problema familiar... Na esperança de que ele ainda me ame e tudo isso logo passará. Embora eu esteja me enganando com essas falsas esperanças, eu busco uma idealização de que tenha realmente outros motivos dessa mudança comigo, com nós.
Tento manter contato, mas ele parece não fazer questão de atender minhas ligações, responder minhas mensagens e se quer me ver. Se ao menos ele me falasse o que está havendo, e eu soubesse onde está esse amor e promessas que me jurou... Eu talvez entendesse com mais clareza o que se passa, ao invés de se esconder feito criança. - Saiba que não estou nem um pouco afim de brincar de esconde-esconde, deixei isso lá na minha infância.
Três dias se passaram, conversamos. Não entendi muito bem os argumentos dele. Mas eu o amo tanto, que argumentos são o que menos importa pra mim. Ele é que importa! Estarmos juntos é o que importa.
Resolvemos manter a nossa relação, mesmo sabendo do súbito desamor que ele faz sentir por mim. Nessa história, acabo concluindo que sou apenas mais uma que vive um relacionamento só, e isso me tortura cada vez mais. Mas se for pra morrer, que eu morra de amor, de esperança, e não sem ele. E vou vivendo assim, sem saber os reais motivos daquelas mudanças repentinas, sem saber dos verdadeiros argumentos. Na esperança de que ele volte a me amar ou aprenda a me amar, como um dia eu imaginei que ele me amasse.