segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pra não ter nuance

Senti o teu cheiro antes de dormir, procurei a tua fragrância rastejante pelo ar. Engano-me. Procuro novamente, na sala, na cozinha, no escritório e na varanda. Mas percebo que quanto mais eu me distancio do quarto, teu aroma se esconde.
Sufoco-me no travesseiro, e encontro o teu perfume que me deixou de lembrança. Poderia durar eternamente aquele cheiro. Parecia que eu tinha você ali, deitado comigo. Era um cheiro que eu queria ter sempre junto a mim, onde eu fosse. A qualquer lugar. Eu seria incapaz de enjoar e fazer descaso. Eu seria capaz de multiplicar aquele aroma. Eu seria grata em transformar o teu cheiro em você.
Consolo-me abraçando aquela almofada grande e aquecendo-a com meu calor. Mantendo-o mais próximo de mim. Não queria que meu olfato sofresse qualquer sutil diferença, uma nuance, perante o seu aroma. Eu queria estatuar, guardar, petrificar se for preciso, só pra te ter de alguma maneira perto de mim quando eu quisesse.