Coloco aquela música que me lembra você. Começo a ouvir atentamente cada letra, cada ritmo, cada espaço de tempo em uma frase e outra e sinto. E sinto uma paz interior. A mesma paz que você me traz quando estamos juntos, quietinhos, abraçados. Paro conscientemente na esperança de imaginar seu jeito tímido e calado, o formato de seu rosto, seus olhos castanhos, com traços que me encantam. E subitamente me vem o rosto de outro alguém, um alguém com olhos também castanhos e de traços que me agradam, contemplado de um sorriso exuberantemente lindo, expressivo, assim como os seus, vistos por mim todos os dias naquela foto emoldurada. E eu fico confusa, porque são dois rostos masculinos e atraentes, que me deixa em dúvida, sem saber qual deles eu realmente quero. Troco pra uma segunda música que só me faz lembrar ainda mais do segundo rosto. E me vejo tocando a pele lisa e nova. Eu o abraço, eu danço a dois, eu sinto o cheiro. E enquanto isso me apaixono por aquele momento. Mas é só a música acabar, que a paixão momentânea desaba.
Vejo-me já nos braços do primeiro rosto após o fim da música. Luto e reluto pra acordar desses pensamentos, pra sair daquele olhar fixo, acordado e adormecido ao mesmo tempo. Não encontro maneiras pra tirar de minhas vistas sonhadoras os rostos. Aguardo aqui, sentada, a música acabar, até os meus olhos despertarem.